Rua Bela Flor, 211 | Vila Mariana | 04128-050

São Paulo - SP | Tel 11  5585-8084

MERCADO DE PESADOS: Um ano ainda de incertezas, em meio a um cenário nebuloso que ronda o país

04/07/2019

 

 

O ano de 2019 começou com muitas incertezas no cenário político e econômico do País, e que ainda continuam. No mercado de pesados, desempenho da economia é um fator que pesa, uma vez que o transporte de mercadorias está diretamente relacionado ao consumo, mas há também outros fatores que influenciam bastante.

 

“A expectativa era maior. O mercado não está ruim, mas não está bom. Dá a entender que ele é muito influenciado pela economia, mas tem outras coisas que têm influenciado o seu desempenho, como a reforma da previdência, que ainda não foi aprovada”, diz o empresário Carlos Eduardo Ribeiro de Oliveira, da Autopeças Perim, com lojas na Grande São Paulo, interior e no litoral do Estado.

 

Outro fator que ele menciona é o tabelamento do frete. “Parecia que o tabelamento seria uma coisa boa. Porém, por ser um mercado livre e aberto, os empresários buscaram outras opções, como o modal ferroviário, que não dá conta, e a cabotagem. Não sei mensurar, mas creio que a cabotagem representou uma fatia relevante do que era transportado por caminhão. Ela já era mais barata e com o tabelamento do frete ficou muito mais”.

 

Questionado sobre ações para impulsionar as vendas, Oliveira diz que chega um momento em que não dá mais para inventar a roda. “Toda a parte de organização, gestão dos negócios, processos, gestão das pessoas, comercial e marketing, chega a um limite que parece que não tem mais o que inventar”.

 

E um dos caminhos que eles seguiram foi o do marketplace, além da divulgação da empresa via redes sociais. “Estamos realizando vendas pelo marketplace, no entanto, o retorno é baixo quando comparado ao investimento. Na linha pesada, as vendas pela internet são muito fracas. E estamos investindo muito na divulgação da empresa, o que está nos trazendo um retorno, estamos ficando bem conhecidos, principalmente fora de São Paulo”.

 

 

Centro-Oeste
Na Didiesel Motores, localizada em Goiânia (GO), o empresário Valdinei Fernandes de Araújo comenta que quando comparado a igual período de 2018, houve uma leve queda nas vendas nos cinco primeiros meses deste ano. “Acredito que o principal motivo seja a política do País. Enquanto não resolverem isso, não vemos nenhuma oportunidade para os negócios melhorarem”.

 

E o que eles têm feito são ações para impulsionar as vendas. “Como promoções, tentando baixar nossos custos e reduzir o preço de venda, e entrando em contato com os nossos clientes. É isto que temos feito neste momento”. Ainda de acordo com ele, a expectativa é de um segundo semestre melhor. “Nós estamos confiantes de que irá melhorar para todo mundo. Aprovadas as reformas pelo governo, o segundo semestre será melhor”.

 

Norte

Em Manaus (AM), o proprietário da Matiz Diesel, Gilson Camiloto, mostra um cenário similar, mas por outro motivo. “Até o mês de fevereiro o mercado estava bom, o ano começou melhor do que nos últimos três anos, mas depois aumentou a inadimplência e o dinheiro sumiu do mercado. E um dos motivos é porque a nossa região é fortemente influenciada pelas enchentes”.

 

Ele explica que como também trabalham com motores marítimos, na época de chuvas em Manaus (entre dezembro e maio) o mercado fica praticamente estagnado. “As cidades ficam alagadas e o consumo diminui muito”, afirma. E na linha de caminhões, há orçamentos feitos há cerca de três meses, mas sem aprovação até então.

 

“Nós temos muitos orçamentos parados e o que está acontecendo é que quem tem muitos caminhões no seu pátio, tira a peça de um e coloca no outro. Porém, quem não tem mais de um caminhão, fica literalmente parado, pois como eu disse anteriormente, o dinheiro sumiu do mercado”.

 

Um dos caminhos adotado por ele é uma negociação melhor com os seus fornecedores e com as empresas de cartão de crédito, para diminuírem os juros e aumentarem o número de parcelas para os seus clientes. “Nós estamos forçando os nossos fornecedores a diminuírem os preços, tentando maiores descontos, pois a venda de peças virou um leilão. Também estamos mais próximos aos nossos clientes, pelas redes sociais e visitas diárias”.

 

Nordeste

Com sede em Maracanaú (CE) e mais quatro lojas, incluindo para a linha leve, o empresário André Magalhães, da Auto Peças Campina Grande, diz que o movimento (linha pesada) neste ano ficou a desejar. “Neste ano não houve um movimento de vendas considerável, salvo maio que foi um mês muito bom, porém, não o suficiente para que fizesse muita diferença com relação a 2018”.

 

Ele avalia que uma das razões são as indefinições no cenário político. “Aqui, nós procuramos não nos balizar por este termômetro, mas ainda há muitas coisas a serem resolvidas”. Como exemplo, ele menciona a falta de definição de verbas para os Estados para obras públicas. “Está tudo muito parado. A partir do momento que o dinheiro para obras começar a circular e outras medidas por parte do governo forem adotadas, eu creio que será melhor para todos”.

 

Especificamente no caso deles, obra parada é prejuízo. “Próximo à nossa empresa tem uma obra federal, um rodoanel viário se comparado a São Paulo, que está há mais de dois anos parada. E as nossas vendas caíram 20%, pois quem está do lado de Fortaleza não quer vir para cá pelo transtorno que é. Um fator externo que está impactando a gente”.

 

Magalhães comenta também que o mercado está muito competitivo e que não existe mais o respeito entre os elos da cadeia. “A cadeia está totalmente quebrada. E nós tentamos trabalhar com a compra direta das fábricas, para fazer com que o nosso custo seja o menor possível para sermos mais competitivos no mercado. Hoje, o nosso grande trabalho é em cima de preço e qualidade. E acho que nós estamos hoje no formato de atacarejo. Nós compramos da fábrica e vendemos no balcão”.

 

E em oferecer algo a mais ao cliente. “No final, o atendimento é o diferencial, pois não há tanta diferença de preço atualmente no mercado. O que realmente faz a diferença é o atendimento e um serviço que você agregue nas vendas, e é isto que estamos fazendo tanto para a linha pesada como para a leve. Temos que ser parceiros, ficar apenas aguardando o cliente é muito complicado”.

 

Sul

Jonir Dondé, gerente Comercial da Líder, localizada em Vacaria (RS), mostra um cenário bastante diferente e com motivos para comemorar. “Nos cinco primeiros meses deste ano, em comparação ao mesmo período de 2018, nós tivemos um crescimento de 21% no faturamento (vendas). Estamos completando 30 anos de mercado na linha de peças para caminhões e este foi o melhor início de ano em faturamento registrado até hoje”.

 

Entre os motivos, ele atribui o aprendizado com períodos de baixa de anos anteriores. “Olhar para trás e ver aonde e em que mudar”, a nova mentalidade de mercado, “o cliente não compra mais por impulso ou simplesmente pra estocar e nossa equipe de vendas passou a entender esta nova modalidade”.

 

E, ainda, a mudança parcial de foco, “ao invés de ficarmos na venda somente para revendedores, passamos a buscar clientes potenciais, através de um atendimento direcionado. E, sem dúvida nenhuma, a mudança de comando do País (governo), junto à ideia de olhar para frente e melhorar. Este pensamento faz muito bem ao mercado”.

 

Segundo Dondé, as oportunidades estão em aproveitar e utilizar todas as modalidades e plataformas virtuais em favor da área comercial, para divulgar e comercializar os produtos que eles têm no mix. “Já o desafio é disponibilizar o máximo de tempo e mobilizar toda a equipe em prol das mudanças de mercado e no esforço em manter clientes potenciais”.

 

E neste segmento, que é fortemente influenciado pelo desempenho da economia, Dondé comenta que se a economia vai bem, o mercado acompanha. “Trabalhamos com uma linha de produtos que é diretamente ligada ao maior ou, a um dos mais importantes segmentos deste País, que é o do transporte (caminhões). Tudo que venha a ser feito para esta classe, sempre terá alguma consequência. Toda a ação tem uma reação”.

 

Para finalizar, ele diz que para impulsionar as vendas, as ações incluem: “manter-se muito atento a qualquer mudança de mercado, e mudando para planos A, B ou C, para que estas eventuais mudanças não venham a prejudicar o bom desempenho de nossa empresa”.

Tags:

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

  • Facebook Social Icon
DESTAQUE NA REPARAÇÃO

BorgWarner desenvolve sistema inovador de dupla embreagem com vetor de torque para veículos elétricos

01/11/2019

1/3
Please reload

ÚLTIMAS 

NOTÍCIAS

Please reload